
"don't stop 'til you get enough", já dizia o michael jackson. foi com esse pensamento que zarpei para o meu festival preferido deste verão. aconteceu de tudo, entre coisas boas e coisas fantásticas.
keep smiling
quatro horas no engarrafamento a 500 metros do recinto é uma bênção. ao lado da minha carrinha (a velha gertrudes) ficou um mini cheio de miúdas. incluindo o borracho louro, de olhos verdes como o mar alentejano e uns dentes alvos lindíssimos. apesar de serem só quatro.
hit my heart
quando a deusa sorriu, senti mais do que a corrente de ar. coração, palpita devagar, please! eu sorri de volta, mas ela desapareceu - a amiga condutora arrancou desabrida. sem hesitar, acelerei também. infelizmente, a minha fila não tinha andado e abalroei um jipe, que mal se mexeu. já a gertrudes...
walk this way
no dia seguinte, uma voz grossa interpelou-me perto da minha tenda. "olá, matador!" mais uma vez, o meu físico cativante (nunca 1,80m e 45kg combinaram tão bem) triunfava - era a ninfa loura! admirei-a à medida que caminhava. tinha uma perna mais curta do que a outra, mas o desequilíbrio dava-lhe um rebolado único, tornando-a ainda mais sensual.
i love the rain
ficámos horas a falar. eu, cada vez mais deslumbrado, absorvia guloso os perdigotos assobiados por aquela dentição exótica. meu deus, ainda não nos tínhamos beijado, mas eu já estava coberto de saliva! e ela, sem se deter, juntava pérolas de cultura musical às palavras húmidas. "vim de propósito ver os u2, adoro a maneira como o mick jagger canta."
party time
à noite, a minha princesa introduziu-me no seu grupo de amigas. eram bastante carinhosas - começaram logo a tratar-me por "totó" - e um poço de generosidade. não como sandes de torresmos, mas elas insistiram. não consumo álcool, mas elas insistiram. não fumo, mas elas insistiram. e então, antes que houvesse mais ofertas, virei-me para a lourinha. "vamos para a tenda fazer amor?" ela respondeu com aquele seu jeito fofinho. "nem pensar, detesto sexo!" não insisti.
sex it up
de manhã, a bebé veio acordar-me, abrindo a tenda com palavras mágicas. "totó, totó, pensei melhor e decidi ter relações!" fiquei logo sem ressaca, mas durou pouco - ela apresentou-me o roberto wanderlei, um gigante brasileiro. "o rob ajudou-me a mudar de ideias!" surgiu então um tronco a tapar o sol. "oi cara, tudo em cima? Muito legal essa sua barraquinha. Pena não ter mulher aí, que espaço você tem até demais..."
beat the dust
fiquei a vê-los afastarem-se, sob o calor intenso, até uma zona onde o pó era ainda mais do que no resto do recinto. quando se sentaram, o rob ficou de costas para mim, tapando a lourinha. não os vi a beijarem-se, mas era isso que faziam - a saliva jorrava aos litros para o chão empoeirado e depressa aquilo ficou um lamaçal. enfim, não era bem este woodstock que eu sonhara.
keep the faith
as amigas vieram sentar-se ao pé de mim, tentando animar-me. sorri, mas expliquei que estava na maior. não precisava de animação, sentia-me bem. e se o futuro quisesse, até podia ser que eu e a bebé voltássemos a estar juntos. elas concordaram. "vais ver, totó, 50 anos no ginásio e não dás hipótese ao rob."
rob in da house
antes de regressar a casa, ainda fiquei à conversa com o rob (a lourinha estava a receber oxigénio, depois de seis horas na tenda dele). falei-lhe abertamente das minhas paixões, como a física quântica. o rob disse que não percebia nada de "desportos australianos", mas adorava wrestling. "treino com seguranças de discotecas, é um saco ficar esperando nas filas de entrada."
sun is shining
quando cheguei ao parque onde tinha deixado a gertrudes... fora roubada. não fiquei surpreendido. afinal, mesmo com as amolgadelas, era irresistível. fui a pé até às arribas e abri a mochila. lá dentro, encontrei uma vit num saco cheio de gelo e um bilhete. "totó, há coisas que nos fazem sentir sempre melhor. assinado: as tuas amigas" peguei na garrafa fresquinha - era ignite, a minha preferida. sentei-me a bebê-la, olhando para o mar. é bom ter sorte.










































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